Um Conto: Quando o Amor não Acontece | Daliti

Esse texto escrito por mim, saiu da minha cabeça e não faz referência á ninguém. Qualquer semelhança é mera coincidência!

Ju era aquela menina que não tinha tempo pra besteira. não tinha tempo de encher a cara. não tinha tempo pra gastar em mil sapatos. não tinha tempo pra namorar. aliás, o amor, na sua opinião já era em si uma perda de tempo; pra que ficar tentando ficar com alguém, tentando fazer dar certo, se sozinha não tinha que tentar nada? afinal, se ela estivesse com ela mesmo, não ia precisar discutir sobre qual filme assistir, sobre qual restaurante ir, sobre onde passar as férias, qual lado da cama era o seu: a cama inteira era dela. Entretanto, sua mãe sempre dizia: “O amor acontece quando a gente menos espera! Na situação mais improvável. Você vai ver!”
Ju era estudante do terceiro ano do curso de física e planejava se especializar logo quando terminar a faculdade. seu tempo era dividido entre dormir e estudar. mas ela precisava comer. ah! comeria enquanto estudava.
apressada, andando pelos corredores da faculdade, ela estava nervosa, pois a biblioteca fecharia em 10 minutos. Ju tinha uns livros pra entregar! e ela não iria pagar os dois reais de multa por atraso no outro dia. onde já se viu? DOIS reais.
quando percebeu que não estava rápido o suficiente apenas caminhando, despontou um cooper cruzando salas vazias e blocos que, naquela altura, pareciam sem fim.
quantos quilômetros até a biblioteca?
começou a correr como se o prêmio final fosse o direito de continuar vivendo!
enfim, avistou a biblioteca. aparentemente ainda aberta. “que mundo é esse no qual os horários não valem mais nada?”, pensou. olhou pro relógio. 22:27. bom, estavam no horário. ainda faltavam 3 minutos pra fechar. mas Ju duvidava que conseguiriam fechar tudo e apagar as luzes em três minutos. ao passar pela porta de vidro, viu de relance seu reflexo antes de passar pela cortina de vento. ao entrar no ambiente fresco, sentiu o calor da corrida esquentando suas bochechas. “devo estar linda.” com os livros nas mãos, andou calmamente até o balcão tentando acalmar a respiração acelerada. parou, e colocando os livros sobre a bancada, levou as mãos aos cabelos tentando parecer menos como uma louca e mais como uma estudante aplicada. pegou o celular pra ver seu reflexo e avaliar sua tentativa. “sem êxito!”
guardou o celular e levantou os olhos, procurando alguém. foi aí que olhou ao seu redor e não viu ninguém. normal, para uma sexta as dez e meia da noite. “Tem alguém aí?”, disse. “já vai!”, teve em resposta. Ju estranhou aquela voz mais grossa saindo dos fundos da biblioteca. logo, um rapaz alto, moreno e bonitão (!!) saiu dos corredores e caminhou apressadamente da forma mais elegante que Ju já havia visto. ela começou a sentir uns movimentos estranhos em seu estômago. borboletas. as mãos começaram a suar. sua boca secou. havia encontrado O cara? seria isso amor? coração acelerou novamente. havia encontrado algo pra colocar ao lado dos tópicos dormir e estudar: namorar. não estava entendendo nada, mas no fundo do seu coração ela sabia. eles estavam destinados um para o outro. Não era que sua mães estava certa mesmo? o amor estava acontecendo. da maneira mais inusitada! qual eram as chances de se encontrarem ali naquela hora, naquele local, só os dois. Era pra acontecer. quando ele se posicionou atrás do balcão, um sorriso charmoso e amigável surgiu dos lábios do rapaz com a camisa sensualmente amassada e mais aberta que o necessário. “Mas que moço lindo!” Ju pensou e logo notou que estava sorrindo sem perceber. “oi!” Quando percebeu, seu cérebro já tinha falado por ela. olhou para seu crachá. que conveniente! “Lucas”, ela leu em sua mente. “oi.” ele respondeu. silêncio. ” Se não devolver os livros antes da meia noite, vou ter que cobrar dois reais.” ele quebrou o gelo piscando graciosamente. Ju até achou ter visto faíscas saindo dos olhos dele. “Ju, para de ser besta.”, pensou. “Ah sim. Aqui estão.” entregou os livros para o rapaz. Suas mãos se tocaram. e ficou ali parada. Silêncio.
“você precisa de mais alguma coisa?” ” o que?” ” quer mais alguma coisa?” “ah.. não. não. já estou indo.” se virou e começou a andar em direção á porta.
“mmm. Julia….” “Ele sabe seu nome! ele já me conhece, me admira há muito tempo e decidiu que não havia hora melhor pra revelar tudo! é perfeito!” Ju se virou com um olhar radiante. já havia visto em filmes e séries momentos assim. era pra ser! era agora.
“Você esqueceu seu cartão.” Ju olhou para as mãos do rapaz e viu seu id da faculdade. ” ah! claro. me desculpe!” Ela foi até ele pegou seu cartão e continuou a caminhar. nada de faíscas, nada de declaração. Nada de romance. nada de nada. “Ué….” ao sair da biblioteca, Ju, inconformada com a reviravolta de sua história de amor, resolver dar mais uma olhada para “o cara perfeito”. Quando se virou, o viu sussurrar alguma coisa para os corredores. alguns segundos depois, uma loira com os cabelos bagunçados e batom espalhado além dos lábios saiu detrás das prateleiras.
Ju sentiu suas sobrancelhas caírem sobre os olhos, junto com um suspiro profundo e magoado. olhou para baixo, e pegou seu celular que havia vibrado. era uma mensagem de sua companheira de quarto. “levei um pé na bunda. quero sair.” na mesma hora Ju respondeu. “não haveria hora melhor! te encontro no lugar de sempre.”
é. pelo que parece, o amor não aconteceu pra muita gente naquela noite.

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